sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Minha Zeiss Ikonta IV 1956


Certa vez meu pai me deu alguns petrechos que guardava no fundo do armário. Uma câmera Perfex Fifty-Five de 1940, uma Walz 35-S de 1971, um fotômetro Weston Master II de 1945 e esta linda alemãzona Zeiss Super Ikonta IV de 1956 da foto aí de cima.

Tudo herdado do pai dele, meu avô Abel, que teimava em ser à frente de seu tempo e tirava altas fotos enquanto tentava fazer esse país crescer. Contei um pouco sobre Abel aqui: http://www.hechoamanocustom.com/2012/12/abel.html  

Pode parecer estranho falar dessas máquinas em tempos de celulares e megapixels, com fotos instantâneas que vão para as redes sociais num piscar de olhos, estabilizadores anti-tremido, autofocus, zoom de zilhões de vezes, redutor de olhos vermelhos e o diabo. Mas a ideia é essa mesmo. Tecnologia demais cansa e ofereço aqui um contraponto.

Parceiro, impressiona o que essas máquinas (e esses homens) eram capazes de fazer. Meu avô e meu pai não eram fotógrafos profissionais, longe disso, mas gostavam de registrar o cotidiano e as fotos que tiravam eram simplesmente incríveis. E olha que, naquele tempo, entre o clique na máquina e o resultado do clique havia uma distância de uns 10 dias.


Essa foto aí de cima é uma de minhas preferidas. Foi tirada nos anos 30, no quintal de casa, e retrata meu avô brincando com minha tia com o Pico do Ibituruna ao fundo. A estética desta imagem é incrível. Até a cerca de braúna formou um segundo plano vertical vestindo o pé da montanha.


Essa é clássica. Abel flagrado à beira do Rio Dôce. Que bela foto!!!


E essa mostra como as coisas eram difíceis naquele tempo. Em 1941, Abel juntou a familia e foi pro mato lavrar mica na Mina do Cruzeiro. Lá construiu essa pequena escola de taquara e contratou uma "letrada" para dar aulas para os filhos. Meu pai, Paulo, é o primeiro à direita. E à esquerda, Dona Adélia, a primeira professora da turma.


Bem camaradas, passei a tarde limpando as máquinas e seus belos estojos de couro. O tempo (e o uso) machuca, mas dificilmente destrói as coisas de antigamente.

Agora, vou comprar um 120 mm P&B, colocar na Zeiss, e testar tirando umas fotas.

Dercy Gonçalves e Aracy de Almeida serão excelentes modelos para as lentes de Marlene (Dietrich). Com certeza!

3 comentários:

Guina disse...

Pedrao, muito legal ter herdado, guardado e mantido estas relíquias de família. Queria eu ter estas histórias pra contar.

Anônimo disse...

pedron, belo relato e fotos incriveis
abraco
americo ney

Bayer // Old Dog disse...

Gosto muito de fotografia. Apesar de adorar a praticidade de uma DLSR moderna, não dá pra negar que qualquer foto com filme tem um estética que não dá pra imitar, seja uma Leica fodona ou uma daquelas Kodaks instantâneas.

Acho que com a fotografia acontece o mesmo que com as motos: as novas são práticas e confiáveis.

Mas as antigas têm alma...