quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Abrindo o cabeçote da Shovel (Parte I)

Já disse por aqui que a ideia de abrir o motor da shovel se deve a dois fatores. São eles:

1) Quando chegou a mim, o motor estava todo banhado de óleo e, pelo que observei, o vazamento vem dos parafusos da tampa do cabeçote, chamados pelos gringos de rocker arm shaft. Provavelmente algum anel de vedação fodido. Pela junta da tampa do cabeçote também aparece uma umidade oleosa, sugerindo um pequeno vazamento.

2) Fiz o teste de compressão e, com a borboleta fechada, deu 80 e 81 psi para os cilindros dianteiro e traseiro, respectivamente. Mas, sem o carburador e o manifold todo aberto, deu 130 e 131 psi, quando a compressão de fábrica é somente 90 psi para as shovel até 1978.

Isso é bom e ruim. É bom porque a mesma compressão nos dois cilindros indica que não há junta "queimada", que não está "passando" óleo, que não há anel de segmento quebrado e que as válvulas parecem estar vedando bem.

Por outro lado, a taxa alta é ruim porque indica que a câmara de combustão deve estar cheia de depósitos, reduzindo o volume e aumentando demais a taxa de compressão do motor.

Então, o negócio é abrir.


 Começando com a retirada do suporte do motor, que o prende ao quadro da moto.


Retirei também os escapes, já com bastante ferrugem e parafusos grimpados. As juntas precisarão ser trocadas.


Deu trabalho...


Retirada do suporte do filtro de ar. Acho que nem vou precisar mais dele.


Tirei fora também o manifold do carburador. Os o-rings tem que ser substituídos, apesar de estarem intactos.


Afrouxando os parafusos do cabeçote dianteiro. Malandro, o cara que apertou isso não conhecia o torquímetro. Pqp... são cinco parafusos de 14 mm que só saíram com muita reza braba e boas chaves.


Expus as varetas (pushrods) mantendo as capas suspensas com prendedores de roupa para retirá-los.


Para tirar o cabeçote, as válvulas devem estar fechadas. Para saber se estão fechadas, toquei o kick start com a mão mesmo. E põe força...  


Para soltar os pushrods é preciso soltar a porca e contra-porca do fuso de modo a recolhê-lo e tirá-lo do tucho.


Retirado o pushrod traseiro do cilindro dianteiro.


Para ter acesso ao parafuso dianteiro do cabeçote do cilindro dianteiro, é preciso sacar o distribuidor. Este é preso por uma única porca, mas é preciso desmontá-lo para conseguir que ele saia.



As duas linhas de óleo também babavam um pouco de óleo. Ao tirar as duas vi muita fita teflon e os o-rings rompidos. Já estava na hora de abrir. As linhas serão substituídas por novas.


Para finalizar o dia, etiquetei todas as peças para que voltem todas aos seus devidos lugares quando for montar tudo de novo. Termino limpando as peças e tomando coragem para sacar o cabeçote dianteiro no sábado. Vamos ver...

4 comentários:

luciano disse...

EEE. Quer fazer? Faz bem feito.

Pedrão disse...

É como bem disse o Hadys: Existem três formas de fazer as coisas: a certa, a errada e a minha forma, que é igual a errada só que mais rápida!!!
hahahaha

Hadys disse...

Não esqueça que a taxa de compressão podia ser 7,5:1 ou 8,5:1 dependendo do modelo ( F ou FL ) e existem pistões de shovel com taxa de até 10:1, portanto pode ser apenas um pistão mais "cabeçudo" que leva a uma taxa de compressão mais alta.
Abçs

Eduardo Correia disse...

uma dica pratica,arrume um pedaço de vidro plano grosso uns 8mm e voce podera verificar se o cabeçote ou a tampa existe alguma deformacao e podera usar o proprio vidro para colocar uma lixa fina e ajustar o assentamento.