quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Papo sobre pipas e cultura

Recém-inaugurado o espaço do Jornal "O Globo" chamado “Um Rio em minha Vida” trata de assuntos profundamente umbilicais da cidade do Rio de Janeiro. Ele ecoa o pensamento simples, mas global, de personagens que estão no dia-a-dia da cidade. Acende um holofote em pessoas que anonimamente constroem a alma da cidade desde os tempos idos. O sotaque, a ginga o desleixo, o humor e as sutilezas que fazem do Rio um lugar especial.

A matéria foi inaugurada com a história do português Manuel (66) que montou, em 1957, uma oficina de bicicleta de 21 m2  na Rua Dias Ferreira (Leblon) e viu o bairro e a cidade se transformar. O contrato de aluguel dele venceu e colocaram à venda sua velha oficina por R$ 1,9 milhão!!! Quem conhece as raízes da cidade deve imaginar como é rústica a oficina do Seu Manuel.


Outro personagem,  continuando a série, é o Seu Maurício, um senhor de 58 anos que vive de fabricar e vender pipas em uma vila de Vista Alegre. A cancela da vila fica aberta para as crianças das redondezas brincarem.

Brincadeiras e brinquedos da moda antiga usam as mãos desse artesão para não desaparecerem. Ele reclama da falta de praças e se resigna por não poder soltar mais os seus balões, e o cerol que agora virou uma cola colorida, para dar beleza e resistência à linha.



Pipa e bicicleta são patrimônios da humanidade. Sempre existirão. Mesmo que a sociedade puna com concreto, mesmo que as leis as marginalizem, mesmo que a gente não queira, as pipas e as bicicletas existirão. Assim como o fumo e a bebida alcoólica, alguns hábitos milenares se perpetuarão, não tem jeito.

Como misturar tudo no mesmo espaço e conviver harmoniosamente?  A resposta são regras meu camarada, regras. E regras significam respeito. Ou “já que você não tem respeito, vamos impor regras”.

Respeito é fácil, não tem mistério. Faça assim: viva a sua vida e não interfira na vida dos outros. Se fumar, não o faça em um restaurante, na sala de aula ou no trabalho. Jogue a guimba no quintal de sua sala.

Se beber, beba pouco. Se beber muito, fique longe da moto, menos por você e mais pelo o que você pode causar. Se andar de bicicleta, passe lá no Seu Manuel e compre uma coxisse qualquer. Mas se soltar pipa, seu marmanjo idiota, faça como Seu Maurício e fique longe das pistas, cazzo!

Um comentário:

Anônimo disse...

Legal o tom poético do post mas acho que não há meio termo para questão de pipas. Proibir! Cresci soltando pipas mas em uma época em que o número de motocicletas era infinitamente menor, menos informações, menos opções de entretenimento...Não tem essa de soltar longe de vias públicas (exceto se for muito, muito longe) pois pipa depende de direção do vento, a linha quando cai cruza kilômetros e mesmo sem cerol pode ser letal.
Valeu a política da boa vizinhança mas, nesse tema, não cabe diálogo.
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