terça-feira, 22 de maio de 2012

R.I.P. O Texto...

Claudinho, como era conhecido pelos amigos, se foi. Não o conhecia pessoalmente mas ele andou comentando umas coisas por aqui, e eu no blog dele. Como ele gostava de dizer, "tungou" uma foto da inspiração black´nd gold que "tunguei" do Leo Dalla no desenho que fez para a Pan do Lucas de Vitória, postada no FHD do Porcão. Olha a rede...

Ele me vendeu as luvas que uso hoje. Não o conhecia pessoalmente mas acompanhava sua angústia na luta contra o câncer. Eram textos negativos, pesados, pessimistas, mas brutalmente reais, inteligentes, impactantes. O blog ainda está no ar e era diferente de todos os demais, inclusive deste nosso aqui. Tinha conteúdo crítico, ácido e sutilmente humorado.

Vez em quando vale a pena relembrar alguns pensamentos do Ol´Jones. De muitos, selecionei um. Não é melhor nem pior que os demais. É diferente.

O TEXTO
Ainda vou escrevê-lo. Este vai ser o definitivo.
O texto. Tão bom, mas tão bom que os outros se tornarão
desnecessários, fúteis, inúteis. Este texto vai acabar com
todos outros. O blog de um texto só. Mas você vai se sentir
saciado. Extasiado. Outros para quê? Prêmios para quê?
Desnecessário o reconhecimento do meu próximo.

Sei o que fiz. O que alcancei. Me aposento da palavra.
Escrever? Falar? Já disse tudo. Agora vou plantar bromélias
em Brasilândia. Sempre com um sorriso de satisfação
incrustrado na face. Poderia ir para um convento também.
Voto do silêncio. Posso fazer isto. Posso e devo, eu sou
o ser humano que escreveu "O Texto". Não tenho que fazer
mais nada além de agradecer com um leve aceno de cabeça.
Este dia vai chegar. O nirvana. O arauto literário irá deixar
seu legado em forma de palavras meticulosanente escolhidas
com o único intuito de arrepiar-lhe. Enquanto este dia
não vem, vou escrevendo estes mesmo. Não dá para pensar
apenas no melhor. Mais vale mais ou menos agora,
do que exatamente nunca.


Descanse em paz.

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