segunda-feira, 7 de maio de 2012

AVENTURAS GERIÁTRICAS - 5a. parte

O tempo esta terrível: frio com possibilidade de neve ao invés de calor nesta época do ano. Acho que a hipótese, já que teoria nao é, do “aquecimento global” foi para o brejo depois que seu  “muso”, o tal de James Lovelock, confessou em entrevista a Ian Jonhston publicada no www.msnbc.com em 23/04/2012, que estava sendo alarmista, e pediu desculpas, deixando o bestalhão do Al Gore e seus eco-chatos pendurados na brocha.

O fato é que ainda não podemos fazer viagens mais distantes enquanto o tempo não firmar. Mas isso tem seu lado positivo, além de curtirmos mais a família (já me considero parte) estamos colocando as motos à nossa feição.

Como acontece com as HDs no Brasil, aqui também as motos de grande porte causam medo a seus proprietaries que as deixam encostadas e as utilizam, quando isso ocorre, apenas para pequenos percursos e/ou para impressionar os vizinhos. Com isso, encontramos motos com quilometragens baixissimas porém com a manutenção deficiente, problemas tais como pinças de freio com pistons emperrados, caixas de direção desreguladas, calibragem de suspensões erradas, altura de para-brisas sem o menor critério, além de um outro problema: os “gatilhos”.

Aqui, como todos sabem, o preço da mão de obra é elevado o que, além de desestimular manutenções em profissionais gabaritados, estimulam os “mexânicos” de fim de semana. O que você descobre de lambança não é pouca coisa.

No meu caso nao tive opção a não ser viajar para Detroit, montar na minha neguinha e fazer uma viagem de quase 1.200 km sem nenhuma revisão. A única coisa que fiz foi parar a bichinha com 2 ou 3 milhas para ajustar o guidom, só quando cheguei a Charlottesville que ela fez companhia à Aspencade do Cyro na UTI. 

Também revisamos tudo: velas, cabos de vela, corte dos para-brisas para adequá-los à altura de cada um de nós. Aqui o pessoal tem mania de olhar por dentro do para-brisas da moto. Isso é totalmente errado, pois na chuva e a noite sua visão fica extremamente prejudicada. Assim é que o correto é a altura do para-brisas ficar na linha da base do nariz do piloto.



Revisamos também o sistema elétrico (fuzíveis errados aos montes), suportes de motor soltos, escapamento vazando, regulagem de suspensões, regulagem de manetes, sangria dos freios, etc… A cada melhoria implementada saimos para testar o comportamento das motos e nossos passeios sempre passam por concessionarias de moto, lojas de ferramenta e assemelhados.


Na 3a. feira apos uma série de melhorias resolvemos dar um rolé para sentir as motos. Acontece que a medida em que vamos nos familiarizando com o local ficamos mais abusados. Como temos preguiça de manobrar a moto com a mão para sair do estacionamento da casa, resolvemos dar a volta pelo gramado nos fundos da casa.

Tinha chovido na véspera, a grama estava molhada e eu, do alto da minha incompetência, deixei a Camila rebolar que nem a Globeleza e me jogar no chão. O Cyro ja tinha saido e como eu demorava ele voltou para rir e me ajudar a levantar a insubmissa motocicleta.

Mas o melhor estava por vir, na volta, o Cyro elogiando a moto o tempo todo vinha me falando que iria encostar a pedaleira da Sabrina no asfalto. Ao entrarmos numa rua bem tranquila, vi que ele acelerou e deitou a moto com vontade, o problema é que vinha um grupo de gringos (umas 3 ou 4 pessoas com dois cachorrões enormes) ocupando 2/3 da pista da direita, e no terço restante havia uma enorme poça d’água (comecei a rir antes da hora).

O Cyro abriu a curva e implementou a mão inglesa na Virginia, ele fez a curva pela contra-mão, entre uma  pick-up e o meio fio. O pior é que eram vizinhos da filha do Cyro, que já nos olham desconfiados fazendo mecânica nas motos e falando em um idioma estranho.



Mas as motos estão ficando excelentes, só falta corrigir o grande problema que a engenharia da Honda lançou em 1984, os freios conjugados: a manete de freio pressionada, aciona o disco dianteiro ESQUERDO. O pedal de freio traseiro pressionado, aciona o disco traseiro e o disco dianteiro DIREITO.

Bem, como todos sabem, ou deveriam saber, quando a roda traseira é bloqueada em uma frenagem ela deve PERMANECER bloqueada pois a tentativa de se alinhar com a roda dianteira (que estaria girando) faria a moto perder o controle.

Já a roda dianteira bloqueada, o procedimento é aliviar a pressão na manete e rapidamente voltar a pressioná-la simulando a ação do ABS. Com isto temos ações antogônicas impossíveis de ser executadas com um freio que comanda, simultaneamente, a roda dianteira e a traseira. Isso sem falar na impossibilidade de utilizar a técnica de controle da oscilação da roda traseira atraves de acelerador, embreagem e freio traseiro, como exigido pela técnica da polícia americana.

De qualquer forma estamos trabalhando em uma solução, descobrimos que ate 1983 as Wings vinham com o freio normal, só mudando em 1984, mas os quadros permaneceram os mesmos. Isso nos levou a encomendar no e-Bay as válvulas da 1983 e conseguimos descobrir onde afixá-las nas nossas motos.


Amanhã vamos sair atrás dos mangotes de freio e creio que, em breve, já teremos os freios decentes.

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