sexta-feira, 6 de abril de 2012

Why fire? Why burn?


Ainda não estou satisfeito. Foda-se. Por que a escolha do fogo para a auto imolação? Por que não se atiram de um edifício ou dão um belo de um tiro na têmpora? Por que não fazem como os homens e mulheres-bombas que estraçalham tudo ao entorno, deixando pedaços do seu corpo em todo um quarteirão? Qual o motivo de lançar-mão do fogo, o mais doloroso, chocante e destrutivo dos métodos de morte?

É cultural, levam a crer os artigos disponíveis na net. Mas isso não explica o porquê do fogo. Na falta de uma tese, faço a minha: é para tornar a "obra" o mais chocante possível e, assim, fazer valer sua demonstração de dedicação à "causa". O fogo destrói, é extremamente dolorido, sofrido, angustiante, mortal. O fogo calcina a pele, e atinge a carne, os ossos e a alma. O fogo permanece, marca, tatua, não tem volta. O fogo demora uns bons segundos para te tirar a consciência. Durante o tempo consciente, é só sofrimento. Ou não. O fogo é infalível.

O método é também cercado de um certo ritual. Medita-se, introspecta-se, cerca-se, aprofunda-se. Após, um banho bem molhado de gasolina, querosene ou congênere. Sem miséria. Não tem essa de molhar um pouquinho. É muito mesmo, de formar poça. Last chance. Risca o fósforo e vrum!! O brilho sobe, incandesce, o calor aumenta, o mundo pára, o tempo some e o que passa a valer é... a "causa". Isso, nada de instinto de sobrevivência, rolar no chão, correr para a água para apagar o fogo etc. 

O método manda morrer serenamente. Faz parte do ritual...

Falemos de motos, então.

Um comentário:

Luciano disse...

O que a falta de uma xota não faz.