segunda-feira, 26 de março de 2012

Viúva Negra




O primeiro modelo RD 350, lançado em 1973, tinha um temperamento agressivo que faria sua fama por décadas. O motor de dois cilindros a dois tempos desenvolvia a respeitável potencia de 39 cv a 7.500 rpm. A RD era uma esportiva radical, inspirada na TD1 250 de competição, que chegara ao Brasil em 1969 para rivalizar com as italianas Ducati nas provas de velocidade em Interlagos. O motor de dois cilindros de dois tempos apresentava uma importante solução técnica: o sistema Torque Induction de admissão por válvula de palheta (reed valve), um tipo de válvula unidirecional usada no sistema de admissão entre o carburador e o duto de entrada no cilindro.


Com 347 cm³ de volume (diâmetro de 64 mm, curso de 54 mm), desenvolvia 39 cv de potência a 7.500 rpm e torque máximo de 3,8 m.kgf a 7.000 rpm. Apesar do Torque Induction, que pretendia melhor distribuição da força entre os vários regimes de rotação, a faixa operacional entre o pico de torque e o de potência era bastante estreita, 500 rpm, como num motor de competição. O torque em baixa rotação era quase nulo, contrastando com o surto de potência a partir de 5.000 rpm. Isso era aquele “coice” como aviões a jato ou carros de competição com turbo que liga só a determinada rotação, que agradava a tantos aficcionados do modelo.

Quadro e suspensões (a traseira ainda com dois amortecedores) eram derivados da YR 5, mas havia um freio dianteiro a disco e, na versão RD 350 B, lançada em 1975, câmbio de seis marchas. Leve e firme, ela sentia bastante as irregularidades do piso.

Com apenas 143 kg de peso, atingia velocidade máxima de 166 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 7 s (segundos), passando pelo quarto de milha (400 m) por volta de 14 s.

A RD 350 chegou ao Brasil em 1974, dois anos antes da proibição da importação de veículos, e logo ficou conhecida como "viúva-negra" – uma aranha venenosa cuja fêmea devora o macho depois de copular – em alusão a seu alto desempenho, e pelo fato de motociclistas incautos sofrerem graves acidentes (muitos fatais) por não conseguirem controla-la naqueles surtos alucinados de potencia que o motor dava.

Nas ruas era comum vê-la disputando "rachas de sinal" com a Honda CB 750, a "sete-galo" (galo é o animal correspondente ao número 50 no jogo do bicho, então 7 + 50 = sete galo), já que a CB 500, a Suzuki GT 380 e outras motos de média cilindrada não eram páreo à altura da RD.

3 comentários:

Pedrão disse...

O grupo do Galo é o 13. Um dos 13 motivos para colocar o número na minha moto. E naquela época (década de 70) andava-se sem capacete, pelo menos lá no interior...

Cmte.Lobo disse...

Nos anos 70 o uso do capacete ainda não era obrigatório, essa obrigatoriedade aconteceu, se não me engano, em 1.981.
Lembro que não tinha capacete pra vender em todo lugar, só nas concessionárias de moto, o meu primeiro capacete era usado, comprei numa loja de brexó no centro da cidade...e era pesado pra cacete e não tinha viseira.

wolfmann disse...

já que mudamos o assunto para capacete, fui usar meu primeiro capacete em 1978... valeu a pena já que rachei o coitado em um tombo...

RD350 é uma moto que tenho boas lembranças, apesar dos vários acidentes de amigos meus (alguns fatais para justificar o apelido). Depois da viúva voltei às 350 com a evolução que recebeu a refrigeração líquida. Foi minha última esportiva antes de ingressar no mundo das custom.

Grande lembrança!