domingo, 8 de janeiro de 2012

Desvendando o SEPST - Parte 3

Achei que este seria um bom momento para estudar como a bagaça toda do SEPST funfa nas HD´s. Quem está acompanhando a série "Desvendando o SEPST" já deve saber mas tem gente que não decidiu ainda pelo remapeamento, então, é bom que saiba algumas coisas antes.

A tecnologia embarcada nas HD´s injetadas segue uma lógica de atuação bem próxima da que utilizamos no nosso dia-a-dia para tomar decisões. No nosso caso, diagnosticamos a situação, consultamos nossa experiência e valores e tomamos uma decisão. Com as HD´s injetadas a coisa é mais ou menos assim também.

Nossas motos possuem uma série de sensores que tem a função de coletar dados e enviá-los ao cérebro, que por sua vez toma decisões com base nestes dados e na programação pré-estabelecida no mapa que está sendo usado na moto.

Eu uso o mapa 176AE001 feito pela HD, modificado pelo Bofh (FHD) e retrabalhado por mim em 3 versões. É este mapa que o cérebro da moto usa para tomar suas decisões após consultar a parafernália de sensores espalhados pelo motor.

Então. Imagine o motor da moto funcionando a certa rotação e carga. A partir daí a coisa evolui da seguinte forma:

1) Consulta de sensores (I): O ECM (Eletronic Control Module) consulta um sensor chamado CKP (Crank Position Sensor) que informa a RPM do motor naquele momento, e outro chamado TP (Throttle Position) que informa qual a posição da borboleta do corpo de admissão. De posse desses dados o ECM consulta a tabela VE (Volumetric Efficiency) dos cilindros dianteiro e traseiro do mapa instalado pelo SEPST e calcula a quantidade de ar que deve entrar em cada cilindro.

Obs: As tabelas VE informam ao ECM a eficiência do fluxo de ar de cada cilindro em porcentagem. Esta tabela mapeia a porcentagem de VE versus a posição da borboleta do corpo de injeção (TP) e a RPM do motor (CKP).

2) Consulta de sensores (II): Ao mesmo tempo, o ECM recebe dados do sensor IAT (Intake Air Temperature Sensor) que informa a temperatura do ar da admissão, e do sensor MAP (Manifold Absolute Pressure) que diz qual é a pressão absoluta do coletor de admissão de ar.

Com esses dois dados o ECM calcula qual é a densidade do ar que está entrando no motor e, consequentemente, a quantidade de oxigênio existente neste ar.

3) Consulta ao mapa (I):  De posse dos dados dos itens 1 e 2, o ECM sabe exatamente a quantidade de O2 que entra no motor e então vai até a tabela de ar + combustível AFR (Air Fuel Ratio) do mapa e conhece a relação estequiométrica desejada.

4) Consulta ao mapa (II): Ao mesmo tempo o ECM consulta a tabela de Avanço de Ignição em relação ao PMS (Ponto Morto Superior) de acordo com a RPM e a carga que estão sendo exigidos.

5) Saída (I): O ECM então, conhecendo a quantidade exata de O2 que está entrando e a relação ar + combustível desejada, dá a ordem aos injetores regulando o pulso adequado de injeção de combustívelna câmara de combustão.

6) Saída (II): Simultaneamente, o ECM envia sinais à bobina informando qual é o avanço de ignição programado para cada cilindro em função da RPM e da carga, para que emita o pulso de centelha no momento exato desejado.

Em resumo: Sensores informam a RPM e a posição da borboleta de admissão, bem como a temperatura do ar de admissão e a pressão barométrica no coletor. Com isso e consultando a tabela de eficiência volumétrica dos cilindros do mapa, o ECM sabe a quantidade exata de oxigênio que entra.

Sabendo a quantidade de O2, a ECM consulta a mistura desejada na tabela AFR e manda sinais aos injetores para que injetem a quantidade exata de combustível para a relação estequiométrica do mapa. Ao mesmo tempo manda sinais à bobina para que emita um pulso de centelha para cada um cilindro de acordo com o avanço de ignição desejado.

Mas tem mais. Mas deixemos para a parte 4.

Obs: Parece complicado mas... é mesmo. Leia duas vezes. Na segunda vez a coisa pega. Mas o lance é conhecer para poder mexer e colocar as coisas do seu jeito. Esse é o Espírito!!!

* Texto elaborado com a colaboração do Gustavo Rocha (Quintas Infernais).

2 comentários:

Anônimo disse...

Lírios com Firmeza,
fala sério, você gosta mesmo é de BMW*.
Estou em Maceió e vi isto numa camiseta. Lembrei de você.
Grande abraço.
Barcellos

* Beber Muito Whisky

Pedrão disse...

hahahahaha Grande amigo, não tenho como negar essa BMW. Correu das chuvas em MG? Um abraço fraterno nas meninas e um beijo no seu coração meu amigo.