quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Parada tensa a de hoje...

É foda. É foda. Vou relatar o que passei há pouco.

Descendo a serra de Petrópolis agora a tarde a uns 60 Km/h e chuva forte. Passa por mim um Celta prata, devagar, antes da curva e... capotagem, no meu nariz. Uma, duas e três voltas até parar de cabeça prá baixo no meio da pista. Chovendo.

Na capotagem, ví dezenas de objetos voando pelos ares e uma cadeirinha de bebê chacoalhando dentro do carro. Vidro pra tudo que é lado.

Parei o carro rápido e saí como um doido. Mal conseguia tirar meu cinto de segurança. O primeiro a chegar. Ninguém mais na pista. Só eu e o carro de cabeça prá baixo. Tentei manter a calma mas eu tremia muito. Analisando agora, acho que era medo do desconhecido. Afinal, o que eu ia encontrar dentro do carro?

O teto do carro afundou e só tinha uma greta. Cheguei e perguntei se estava tudo bem. Um mulher respondeu que sim, mas queria sair dalí. Disse para ela que iria tirar ela de lá mas, e os outros? Ela disse que estava sozinha. Quase chorei. Graças a Deus não tinha um bebê com ela. Puta que o Pariu.

Ela estava de cabeça para baixo, presa no cinto e pescoço torto por causa do teto afundado. perguntei se ela podia se mexer e ela disse que sim. Fui pro outro lado e tentei tirar o cinto enfiando a cabeça dentro do carro, mas não consegui. O carro soltava muita fumaça (depois descobri que era da chuva sobre o escapamento quente) e preocupei-me em não dar mole e tirar a mulher de lá. As portas não abriam e a pista não estava sinalizada, outros carros podiam engavetar em cima da gente.

Voltei pro lado do motorista e estimulei que ela tentasse soltar o cinto. Ela conseguiu e se soltou. Puxei-a para fora, com cuidado e ela me abraçou tremendo. Minha camisa sujou com o sangue que estava no rosto dela. Neste momento, o primeiro carro: um senhor chamado Zé Geraldo numa Fiorino.

Conduzi ela para dentro da Fiorino ao abrigo da chuva e voltei para sinalizar o acidente. Como temia, não fosse isso, outro acidente aconteceria. E aquelas coisas, agora analisando. O segundo carro que passou era de um médico. Que bom. O terceiro, uma caminhonete da Ampla com aqueles cones na traseira. PQP. Que sorte. Os caras correram para sinalizar o trânsito e ajudaram pracaralho.

Uma carreta parou em seguida e fechou tudo.

Parti para ver a mulher. Tranquilo. Nenhum osso quebrado e o sangue no rosto era de um corte no braço que sangrava quando ela estava de ponta-cabeça. Fui desligar o carro que ainda estava ligado e catar as coisas dela. Carteira, celular, iPod, PenDrive, guarda-chuvas, bota, sandalha, controle de garagem, óculos, bolsa etc.

O carro com certeza vai dar PT. E ela não tinha seguro. Fudeu.

Com 30 minutos chegou a Concer com ambulância, reboque e equipes.

Situação controlada, pista interditada, paramédicos acionados, voltei pro meu carro. Quando percebi já estava no pedágio da baixada. Nem lembro da descida. Acho que minha cabeça ainda estava no acidente.

Cheguei em casa, dei um cheiro na mulher e nos filhos e cá estou no trabalho. Como trabalhar?

5 comentários:

Marcos Brasil disse...

Anjo Berolas!!!!! que estoria incrível, graças a Deus Tu estavas no local certo na hora certa, além dos outros tbem, a vida sempre nos prega, e leve isto como um aviso que Deus manda, no qual notamos que ele cuida da gente e de nossa querida família e que com certeza está com o Titiene, cuidando dele lá no Céu, abraço primao aparece
Marcos Brasil.

Hadys disse...

regra numero um em um acidente é a segurança do socorrista !!! Em segundo, estando sozinho e sem experiência, chamar por auxílo.
Mas na hora do pega pra capar não existe regra. Parabéns pela iniciativa. Ganhou uns pontinhos com o lá de cima.
abçs

Pedrão disse...

Valeu Marcolino. Saudades primão.
Hadys, até hoje sinto um frio na espinha quando lembro da parada e percebo que um caminhão ou um outro veículo podia ter me encaixotado naquela curva enquanto estava debruçado dentro do carro. Deu tudo certo mas podia não ser assim. De qualquer forma, o inesperado surgiu e não deu muito tempo prá pensar com a moça de ponta cabeça gritando por socorro.
Tem umas coisas que acontecem comigo que de vez em quando posto aqui no blog... cada uma.
Abs,
Pedrão

Anônimo disse...

Parabéns meu amigo, isso é uma ATITUDE BIKER, com certeza!!!
Só um adendo, estou lendo seu blog, comecei hoje, já virei um bocado de página, até agora é o melhor blog sobre HARLEYS que achei. Você também tem um Dyna, assim como eu, e fuça na moto, isso é bacana!!! Estou pegando todas as suas dicas...!!!!

Um grande abraço...

Sucesso!

Pedrão disse...

Obrigado Anônimo. Valeu o elogio.