terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dia Mundial Sem Bom Senso. Um Desabafo!!

As bicicletas cariocas. Para andar, pague 300 pilas.
Numa terça-feira, dia 22 de setembro de 2009, um movimento europeu ganhou contornos globais, aqui aportando com força no chamado "Dia Mundial Sem Carro". O Rio de Janeiro, como não poderia deixar de ser, sempre ávido por lançar e aderir a qualquer manifestação politicamente correta ou modismo internacional, entrou de cabeça - o prefeito Eduardo Paes pedalou 20 Km até o trabalho sob chuva fina, de capacete e capa. O Governador Sérgio cabral trabalhou de...helicóptero. (?)

Uma parte considerável do centro da cidade foi fechada ao trânsito. Carros e motos estacionados foram rebocados e, no dia anterior, mais de 2 mil ciclistas fizeram um passeio bem legal pelas ruas da Zona Sul. Nas ruas transversais de Copacabana, a velocidade máxima passou a ser um pouco mais veloz que a de um cágado, 30 Km/h. Ao invés de construir ciclovias, pintaram o asfalto de branco e tomaram uma faixa dos carros para o trânsito das magrelas.

A situação chega a ser ridícula. Dezenas de carros enfileirados em fila indiana, emitindo gases estufa adoidado, atrasando a viagem e complicando o trânsito, enquanto uma faixa fica livre para que não mais que 4 bicicletas por hora a utilizem.

Colocaram bicicletas para alugar em diversos pontos da Zona Sul do Rio de Janeiro. A idéia é que sejam usadas para o deslocamento das pessoas ao trabalho. Mas, qualquer um que queira utilizá-las terá que desembolsar 300 pilas de caução. Só turista mesmo... Aliás, já tentaram ir de Copacabana ao Centro de bike? São mais de 10 quilômetros sob um calor de mais de 35 graus. Desse jeito, além de bicicletários, a prefeitura vai ter que instalar chuveiros e vestiários. Depois não se sabe o porquê da baixa adesão.

O Governador já andou ventilando sobre bicicletas elétricas para tentar aumentar a adesão. Gordinho como é, já percebeu que o buraco é mais embaixo quando se trata de pedalar dentro de um forno...

E quando chove? No Rio chove pelo menos 85 dias por ano. Em mais 50 faz um frio de arrepiar pinguim. Tirando sábados, domingos e feriados que somam, em média, mais 130 dias, sobram 100 para ir ao trabalho de bicicleta. Considerando que o calor extremo é a regra na cidade, restam uns míseros dias amenos para andar de bicicleta.

O Dia Sem Carro no Rio foi uma piada de mau gosto. Uma enquete feita pelo jornal O Globo um dia antes do dia 22, mostrou que quase 70% dos cariocas não iriam aderir. Um leitor fez um comentário que resume a história. "Não [vou aderir ao Dia Mundial Sem Carro] porque os meios de transporte de massa do Rio de Janeiro não são adequados para atender a demanda em dias normais, o que dirá para atender uma demanda extra. Nossos dirigentes políticos querem aparecer copiando campanhas de outros continentes porque ecologia está na moda. Cabe ressaltar que nos países que se comemora este Dia Mundial sem Carro, o transporte de massa funciona".

Lá em São Paulo, cujo trânsito já atingiu o limite da insanidade, estão querendo implementar o pedágio urbano. Ou seja, para ir ao centro, paga-se pedágio. Só rodízio não está resolvendo. Então, a idéia é dificultar a vida dos "com carros" e, lógico, arrecadar uma graninha. Afinal, para que servem os governos? Mas, ao invés de dificultar, que tal estimular a população a utilizar o transporte público? Como? Melhorando-o. Simples.

O que não dá é forçar o cara a pegar um ônibus barulhento, sujo, sem ar condicionado, ficar em pé por falta de assento, com risco de assalto, com motoristas que metem o pé no freio e dão arrancadas como se estivessem carregando porcos, com paradas a cada 150 metros, etc. Aí é demais. Ninguém quer.

E o trem? Putz! Indescritível! Este nem vou comentar...

Outra cavalice dos governantes cariocas foi obrigar o metrô a destinar vagões para uso exclusivo das mulheres. Meu Deus! Que cretinice é essa? Que porra é essa? Dizem que é para evitar que os homens bolinem as inocentes senhoras que lá estão. Carai, em que século estamos? Na hora do rush, os espaços são valiosos e a mulherada briga de igual para igual. Conheço fêmeas que se negam a entrar no vagão rosa. Querem ser tratadas como iguais. Bolas, não precisam do Governo as protegendo. Elas mesmas dão conta, ou alguém tem dúvida disso?

Estou farto do Governo do Brasil me tratar como um idiota que precisa ser orientado o tempo todo. Não pode beber. Não pode fumar. Não pode andar de carro. Não pode comprar remédio em gôndolas da farmácia. Não pode comprar uma arma. Não pode comer carne. Não pode usar sacolas plásticas no supermercado. Não pode jogar bingo. Não pode nem chamar o Nando Brá de negão. Que vidinha de merda sô...

Os vagões exclusivos para as pobres e frágeis mulheres. E os gordos? Quando serão lembrados?
P.S.: Ontem vi um debate na MTV, mediado pelo ex-roqueiro Lobão, com especialistas contra e a favor do jogo, bingos e cassinos. Lá pelas tantas, Lobão soltou esta pérola: Que legal que o governo está preocupado com a saúde mental do jogador de bingo, para que não vicie no jogo e tenha uma vida feliz. Mas, vocês não acham que o governo deveria se preocupar com a maioria medíocre, que come macarrão aos domingos e leva uma vida de idiota? Este vício não seria muito mais degradante?

5 comentários:

Anônimo disse...

E o frentista...Não posso colocar gasolina sozinho, tenho que esperar um frentista?

Fernando Brasil disse...

Primeiramente negão é a PQP hahahahahahah.
Segundamente apoio seu dizeres, menos Nando Bra de Negão hahahahahah

Pedro Couto disse...

Terceiramente, salve o primão Nando Brá...
Quartamente, sei que você também acha uma babaquice essas velhas novidades de nossos governantes.
Quintamente, ao anônimo que comentou antes de você, ter frentista nos postos tem suas vantagens. Veja bem: São pessoas mais bem treinadas que os usuários (ou pelo menos deveriam ser) no trato com substâncias combustíveis e corrosivas. Você não emporcalha as mãos para abastecer. Eles podem calibrar os pneus, verificar o nível do óleo e outras mordomias. Você nem precisa sair do carro. E, dependendo do posto, colocam até umas "princesas" para te atender. (Júlia morre quando as chamo assim). E ainda tem o lado da geração intensiva de empregos. Cool!
O que não gosto é da imposição do Governo. O posto que quer ser self service é proibido de sê-lo. Ora, cadê a concorrência e a livre iniciativa?

Claudio disse...

Grande Berolas,
concordo em gênero, número e grau (etílico) como nobre colega. Eu faço minha parte em deixar o carro em casa e ir de balaio para o trabalho e as vezes voltar a pé. Mas também moro a 20 minutos (a pé) do trabalho.
Também acho uma grande babaquice querer imitar os modismos da europa. Lá é tudo plano e o transporte público realmente funciona. Queria ver os gringos subindo e descendo os morros aqui de BH.

Grande abraço também para o negão do Nando Bra.

Barcelos.

Pedro Couto disse...

Bracelete, meu amigo. O problema todo está em como o Governo e mídia "vendem" a coisa. Andar de bicicleta é ótimo. Transporte coletivo é a solução para as cidades entupidas de gente. Mas daí apresentarem isso como solução imediata é desprezar o que nos resta de inteligência.

Salve o grande amigo e toda a sua família.

Saudações olímpicas.