sábado, 12 de setembro de 2009

Curiosidades nas estradas

Já falei aqui da paixão pelos Mustangs e motos de alta cilindrada, que provavelmente foi herdada do DNA do papai, até hoje com conhecimento razoável da mecânica de autos. E este gosto me faz estar atento a coisas inusitadas que envolvem essas máquinas e da capacidade do homem em preservar esta paixão.

Há forma mais explícita de declarar sua admiração por uma máquina do que enterrá-la por cinquenta anos como no caso do Plymouth 1957 postado em outra ocasião neste blog? Difícil. Para a maioria das pessoas não passa de esquisitisse. Mas, tem gente que não deixa passar em branco casos como estes.

Para estes estranhos seres, uma viagem pelo asfalto nunca é enfadonha ou monótona. Cada moto, carro ou caminhão tem uma peculiaridade, uma curiosidade alí explícita, bem na frente dos seus olhos, mas que poucos percebem, deixando passar e carimbando a viagem como um mero lapso de tempo entre a saída e a chegada ao destino. Um verdadeiro desperdício.

Querem ver? Outro dia, numa viagem pela BR 040, me chamou atenção um treminhão (mistura de caminhão com trem) encostado em um posto abandonado. Um monstro com 180 rodas (isso mesmo, cento e oitenta) transportando um cilindro de cerca de 60 metros de comprimento por 4,5 metros de altura mais parecido com um supositório de Itu.

Tem como passar sem parar? Tem como ignorar este feito da engenharia? Para a maioria, certamente mais sábia do que as exceções, parar significa atrasar a viagem. Para mim, melhor chegar atrasado mas de jeito nenhum poderia perder a chance de conversar com o ser humano que pilota uma coisa dessas e, lógico, pedir para que ele próprio tire uma foto minha na frente do bicho.

O interessante é que até o motorista achou inusitada a minha curiosidade, afinal, quase ninguém vê naquilo alguma graça. Ao contrário, segundo ele, alguns até xingam porque atrapalham o caminho com sua velocidade máxima de 40 Km/h. Ele estava parado alí havia três dias por causa de um desvio no planejamento do transporte e de negociações com a Polícia Rodoviária. Um caminhão desses para sair, tem que ter escolta e até suas paradas são minuciosamente planejadas.

Lamentei não poder acompanhá-lo na descida da Serra de Petrópolis, estrada sinuosa, com túneis em curva e altura limitada, além de inclinações de descida de mais de 20 graus. Para descer, a pista de subida vira pista dupla, e a de descida fica exclusiva para o treminhão. Uma verdadeira operação de guerra!!

Noutra ocasião, passando por Juiz de Fora, eu e minha turma de casa percebemos que estava rolando um evento de carros antigos num clube da cidade. Que viagem ao passado... Coloquei o boné antigo de meu falecido avô Ajax e lá fomos nós admirar aquelas belezas. Mais uma vez, a viagem se tornou um prazer compartilhado por toda a família.

Certa vez, quase comprei um Chevrolet Gigante de 1946. Motor original, lubrificação por "pescador". Cara, se eu tivesse comprado... Um caminhão verde, de paralamas pretos, de grades frontais cromadas verticais, brilhando feito lombo de pão doce...
Isso me faz lembrar de uma frase dos amantes das Harleys:
"Quando morrer, quero ser CROMADO!!!"

O fodão com a camisa do Galo e minha doce Bilu.

Pedrinho ainda com 6 anos.


Mãe e filho em frente ao Chevrolet "boca de sapo".

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