quinta-feira, 9 de julho de 2009

Uma viagem ao encontro do "Rei da Floresta"

A quinta-feira estava guardada para serviços de escritório. Boa providência pois tenho levado muito trabalho para casa e isso me incomoda. Contudo, na última hora tive que ir à Friburgo para me reunir com um cliente e, naturalmente, fui de Harley.

Na quarta à noite fiz os estudos de praxe: 1) Consultei o Climatempo para o Rio, Niterói, Cachoeiras de Macacu, Mury e Friburgo. Sol direto. 2) Entrei no "Google maps" para decidir o melhor itinerário, se via Magé ou pela Ponte Rio-Niterói e Itaboraí. Escolhi a opção 2. Tanque cheio, agasalhos, luvas, polainas de couro, PEDROX na veia e chão logo cedo.

Antes de sair, lembrei da agradável experiência que tive anos atrás ao conhecer um dos seres vivos mais antigos do Brasil, o Rei da Floresta, o Jequitibá na Mata Atlântica do Parque Estadual dos Três Picos. Boa oportunidade para revê-lo pois iria passar por Cachoeiras de Macacu, município que abriga a maior parte do parque de 466 quilômetros quadrados.

Esta é daquelas viagens em que a ida é mais prazerosa que a volta. Às 8 horas da manhã a estrada tinha pouco trânsito e o clima estava ameno, com sol, mas sem frio ou calor excessivo, ou seja, as condições eram excepcionais para um bom passeio de Harley. Já na volta o calor incomodou um pouco e o encontro com o "Rei da Floresta" exigiu o consumo de algumas centenas de calorias.

Descendo a Serra dos Órgãos para me encontrar com o rei, entrei no Parque e percebi que o acesso principal estava em obras. Paralelepípedos foram trocados, pavimentação de concreto nas subidas mais íngremes, rede de drenagem reforçada, pórticos novos sendo construídos e a nova sede em obras. Orgulho-me em revelar que tive discreta participação nestas melhorias, aprovando na Câmara de Compensação Ambiental os recursos oriundos da Companhia Siderúrgica do Atlântico e destinando-os para esta unidade de conservação. Sinto-me meio "de casa" por isso.

O problema é que as obras impediam o acesso e tive que deixar a Harley na entrada, subindo cerca de 500 metros a pé até a trilha que leva ao meu velho amigo. Encontrei com o Alessandro, Théo, Toni e outros funcionários do INEA, batemos um papo, e segui para a trilha em companhia do Toni, um jovem guarda-parque local.

Após algum tempo de caminhada, surge impávido o incrível JEQUITIBÁ. Um monstro de 40 metros de altura. Circunferência da base de 19 metros. Diâmetro de 6 metros. Idade estimada de 1.000 anos. Incrível! Que árvore! Boca aberta olhando para cima para admirá-lo em todo o seu esplendor. Trata-se de um exemplar único de Jequitibá-rosa (Cariniana legalis), cujo dossel emerge vigorosamente por sobre as copas das árvores da Mata Atlântica.



Curiosamente, o que mais me chama atenção no Jequitibá não é o que está acima do chão. Na verdade, é o que está abaixo, ou seja, seu sistema radicular. É incrível! Um exemplar de menor porte numa área próxima (provavelmente um filhote do "Rei da Floresta") me mostrou uma raiz superficial de mais de 40 metros que fui seguindo pelo meio do mato. Só este segmento de raiz tinha de 30 a 40 cm de diâmetro.

Fiquei no parque mais de 1 hora. Na saída, um acontecimento, no mínimo, inusitado, reforçou minha idéia de que o local mexe com a cabeça das pessoas. Quando estava subindo na moto, um peão de obra que espalhava pó de pedra sobre os paralelos encaixados no chão, se aproximou com uma pá nas mãos e perguntou se eu trabalhava com música. Respondi que não, meio desconfiado. E ele respondeu: Que pena!

Curioso, perguntei-lhe o porquê da lamentação. E ele disse que era compositor e queria vender algumas músicas e se, na sorte, eu fosse um músico, ele talvez conseguisse sair para o estrelato. Pedi para ouvir uma de suas músicas e ele, imediatamente, passou a cantar um pagode com voz afinada e sorridente, usando a pá como cavaquinho. Muito legal! Saí dalí com a música na cabeça e a cena do negão tocando pá na lembrança. E pelo menos mais 1000 anos de vida pela frente...

Um comentário:

Anônimo disse...

Temos q mostrar para Fernanda e Suzana já q elas tem o CD do "Gigante da Floresta" o qual conta a história deste rei desde a semente. Porém, ela ainda não o viram. Elas vão adorar.