terça-feira, 28 de julho de 2009

A Difícil e Aprazível Viagem a Angra dos Reis

Esta semana fui a Angra dos Reis. Depois de rodar 330 quilômetros de carro vindo de Minas, montei na Harley e parti para mais 300 quilômetros de chão. Nada fácil, mas a vontade de andar de moto acaba superando as resistências do corpo.

O tempo estava nublado, mas firme. Nada de chuva. Era a senha para seguir em frente. O maior problema seria pegar a Avenida Brasil, pista dupla com duas ou três vias de cada lado e eixo de escoamento rodoviário de produtos de toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com caminhões de porte e características variadas, principalmente no que se refere a quem os dirige.

Logo nos primeiros quilômetros da via, um problemaço. Um plástico grosso destes de embalar geladeiras dançava no meio da pista ao sabor do deslocamento de ar dos carros. Passava um caminhão e ele voava uns 2 metros e voltava para a pista. Passava um carro e o plástico ricocheteava a mudava de pista. Incrível como essas coisas perseguem a gente. A aproximação se dava como em câmera lenta, até que, a cerca de 90 Km/h, após torcer para que o plástico fosse em outra direção, o danado veio parar na minha frente.

Destorci o punho um pouco, firmei o guidão e Vvrááááá!!! Ato contínuo, olhei o retrovisor para ver se o desgraçado ficara para trás. Como não ví nada, rapidamente olhei para o chão e lá estava ele, preso sob a pedaleira do câmbio, tremulando feito uma bandeira. Como era um plástico de cerca de 1,5 metros de comprimento, tive receio dele enganchar entre a correia e a roda traseira, o que poderia causar um acidente feio.

Mas, na Avenida Brasil você não pode parar. Diminuir a velocidade já é uma temeridade, quanto mais parar. Os caminhões zunem ao seu lado à toda. Ademais, às vezes reduzir a velocidade é o que o plástico precisa para entrar de vez sob a roda. Assim, tentei desenganchar o maldito com o pé mas não dava. Ele estava preso sob a pedaleira e só com mão eu conseguiria tirá-lo. E foi o que fiz. Deu tudo certo, voltei à velocidade de cruzeiro e segui em frente.

Impressionante como a Avenida Brasil tem objetos dançando pela pista. Em vários momentos lembrei do Felipe Massa e seu improvável acidente na F1. Topei com parafusos, porcas, arruelas, calotas, plásticos, madeira e até toco de cigarro atirado pela janela em minha direção. Mundo cão. Outro desafio é o deslocamento de ar dos caminhões e carros vizinhos. Todo cuidado é pouco...A moto é pesada, firme, tem um torque insano e as 1.600 cilindradas oferecem a segurança de um carro mas...não é um carro.

Já na BR-101, novas emoções. As obras de duplicação da pista até o trevo do Porto de Sepetiba jogaram tanta areia na pista que suas margens pareciam praia. Mas o pior não era isso. O maior risco para um motociclista são as pipas. Nas minhas Minas Gerais dos tempos de criança eram chamadas "arraias", ou simplesmente, "raias". Nesta época do ano, é ainda pior. Dezenas de meninos esgrimavam suas pipas nas margens da estrada e as linhas com cerol ameaçavam a degola, o que me obrigava a pilotar com uma só mão para proteger o pescoço. A polícia rodoviária deveria zelar pelas condições de segurança da pista mas espantar criança não deve ser fácil. Você dá a ordem, vira as costas, e eles voltam. Dá esporro, e no outro dia, lá está a garotada. É assim mesmo...melhor que o motociclista se proteja.

Tentei colocar uma antena corta-pipas na moto, a contragosto, mas a abraçadeira não era da bitola do guidão da Harley. Achei melhor assim, porque aquilo acabou deixando marcas no cromado além de ser feio pra burro. Mas, às vezes faz muita falta...

No caminho até Angra, uma delícia. Estrada sinuosa, margeando o mar, com todas as baías, ilhas e enseadas à vista. Paisagem incrível! O trecho tem bom asfalto e a mata atlântica garante o ar condicionado da viagem. Algumas coisas são toscas, como a Terra do Nunca do ex-deputado Papai Noel, e alguns outros "empreendimentos" de gosto duvidoso.

Paradas, nem pensar. Não há nada que preste para se comer, nem mesmo um bom café expresso. Numa tentativa inútil, parei numa lanchonete e pedi um expresso com pão de queijo. Ambos sofríveis. O banheiro, lamentável. No local, um cãozinho vira-latas, sarnento e desnutrido, descansava sob a mesa e sem querer, pisei forte sobre sua pata. Não gritou nem nada. Fui ao banheiro e na saída, logo à frente, senti que chutei algo. Era o tal cãozinho, que me olhando de banda, manteve-se em silêncio novamente. Após alguns minutos e pedido de desculpas ao sarnento, subi na Harley, pus a máscara, o capacete, virei a chave, liguei a ingnição e ... ZZZZZZZZZZZZZZ .... POW!!! .... POP! POP! POP! POP! ...... Ouvi algo, olhei para trás e .... AU! AU! AU! AU! ... balançando o rabo. Acho que gostou de mim...



4 comentários:

Fernando Brasil disse...

Litlerou-se com Firmeza, é brincadeira heim (como já diz nosso canhotinha de ouro Gersom), passou por Itacuruça e não parou para visitar seu primo. Problema não, perdeu somente uma cervejada e um churrasco de peixes. hahahahahah. VIVA O CRUZEIRO, e boas viajens com sua Harley

Los Pedros disse...

Drinx! Pensei em você na ida e na volta mas não deu desta vez. na próxima, apareço. Valeu primão e ... saudações atleticanas!!!

Claudio disse...

Lírios com 1/3 de rosa,
ocê toma cuidado com esse trem de motocicreta sô. Quando cai num passa do chão.

Grande abraço.

Pedro Couto disse...

Cê besta sô!! Tô di ôi!! Valeu amigo!!!