domingo, 28 de junho de 2009

Fidelidade Harley-Davidson

Foto: Da esquerda para a direita: William Davidson, Walter Davidson, Arthur Davidson e William Harley.

Estou certo que certas marcas despertam "alucinações" no consumidor. Sim, chamo de "alucinação" o sentimento que une um produto ao consumidor porque é uma ligação é tão poderosa que ultrapassa os limites da razão.

Parece uma doença infecciosa que domina o sujeito, adquirida através da experiência vivida, geralmente de grande sucesso, de excepcional satisfação e surpreendente por si só. Vejam o caso do iPhone da Apple. O lançamento se deu num dia de forte chuva, em que milhares de consumidores passaram a noite fria e molhada numa fila gigantesca na porta da Apple para comprar os primeiros iPhones, quando poderiam comprar em qualquer loja no dia seguinte. E porque enfrentaram isso? Tenha certeza - só fizeram isso porque a relação com marca extrapola a racionalidade.

É pura devoção. É a lealdade ao extremo, quase fundamentalismo, radicalismo, religião. O que me faz lembrar uma frase de Roosevelt - "Radical é aquele que tem os dois pés fincados firmemente sobre as nuvens." Nada mais certo.

Ninguém duvida que a marca Harley-Davidson é protagonista de uma destas esquisitices que acontecem com os humanos. Um dos direitores da Harley, certa vez, perguntado se estava preocupado com a fidelidade dos consumidores diante da ameaça das motos japoneses, disse: "quem tem sua marca tatuada no corpo dos consumidores, não tem o que se preocupar com ameaças à fidelidade". E não é verdade?

A marca HD vale 7,6 bilhões de dólares. Está entre as 50 marcas mais valiosas do mundo, segundo a Interbrand. É uma marca essencialmente americana e que, somente em 1998 admitiu produzir motos fora dos EUA, e o local escolhido foi...o Brasil. Sim, na Zona Franca de Manaus foi instalada a primeira montadora Harley-Davidson fora dos Estados Unidos.

Do ponto de vista estritamente pessoal, posso assegurar que a experiência com uma Harley é única. Você realmente se sente diferente. É um ícone de uma rebeldia inata, congênita, que não consegue se manifestar senão com o ronco do motor V2. É algo transcendental, místico. Sou capaz de ficar um bom tempo parado, ouvindo a música do motor Harley-Davidson de 96 polegadas cúbicas soando. pop pop...pop pop...pop pop...pop pop...

Nenhum comentário: